quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Hoje não há poesia...


Uma lança...
Assim sinto suas palavras
que mais do que ferir...
Me despertaram
a poucos passos do real...


Hoje não escrevo poesia
Estou sem rima... é minha sina...

Quero apenas um lugar para deitar a cabeça...
Quem sabe uma manta que me aqueça...

Frios ventos... fria lança...

Por todos esses anos
Atravessei mares bravios,
Invernos tenebrosos,
Solidão que parecia eterna...
Até em tuas mãos poder pousar
E agora fria lança fere meu coração
E frios ventos levam-me embora...

Como um pássaro que havia regressado para casa
Faminto, ferido, mas feliz, assim voltei para você...
Mas percebi que não és mais minha casa,
E esse vento frio que sopra
onde antes havia paixão
Congela minha alma...

De tão longe para tão perto de ti...
E agora mais distante do que nunca...

Preciso continuar
e beber do cálice da alegria serena
Dos que consolam os espinhos que os rasgam...

Vou alçar vôo de novo
É...é incrível como penso em mim como num pássaro
Desde minha infância sempre me vejo partindo
Essa é a primeira e mais forte imagem que tenho...

Talvez porque eu tenha a exata dimensão de nossa brevidade
Talvez por isso, eu viva cada segundo de forma intensa...
Acho que sou só sentimentos...
Não me preocupo com o como, nem com o porque,
Mas com a essência das coisas...
Não me ajusto a esse mundo matéria
Onde vejo algo tão puro que a ti trouxe
Ser rejeitado, desdenhado e derramado
Como um perfume barato...


O pouco que eu tinha eu te dei...

Na verdade... era tudo o que eu tinha...

mas você não entendeu...


Vou contar sobre o mistério de te amar
Mas hoje não...
Hoje estou ferida
Hoje só quero chorar...


Katia Ceregatto

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